OLD Inexista

Jul 26 '10

Zumbification ♫

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Era uma noite de lua cheia…

Que romântico, não? Lá se vão de mãos dadas, a índia Ana e Jones, recém-casados e aproveitando a lua-de-mel em um agradável passeio no… Cemitério? O que diabos este belo casal pretende em um local assim tão inapropriado, tão atraente… Pergunte para um dos dois, oras. A índia Ana com seus notáveis, longos, lisos e negros fios de cabelo que cintilavam à luz dos postes mais próximos, aproximou-se de uma lápide e falou:

- Veja amor, como estas flores são lindas!

Jones pegou o buquê sobre a lápide enquanto um vento gelado assanhou seus cabelos cacheados e entregou-as nas mãos de Ana que sorriu, toda meiga. Foi quando os dois escutaram o grito de uma voz rouca que dizia:

- Un Forastero!

Os dois viraram-se na direção da voz, notando a presença de uns quatro homens e uma mulher, todos meio barrigudos que trajavam roupas de fazendeiro mofadas e rasgadas, suas peles estavam cheias de feridas e delas emanava um odor fétido. Estavam carregando em mãos sua arma mortífera, machado, foice, martelo, enxada e faca de cozinha. Ana e Jones pensaram em correr, mas ficaram meio que paralisados. Eram zumbis de verdade! “Essa não! Por que viemos logo ao cemitério?” eles pensaram. Um dos zumbis falou:

- Que mierdas són essas?

A morta-viva velha e gorda da cara torta era toda linda (não) e gritou histericamente:

- AAAAAAh, devuelve mis flores!

Ela correu e pegou as flores das mãos de Ana que as soltou sem dar um pio. Depois a velha voltou correndo para os machos dela, cada um mais decomposto que o outro. O zumbi que era o segundo em escala de putrefação atirou sua foice em Jones e acertou-lhe o braço direito que sangrou bastante. Mas a índia Ana misturou ervas vermelhas e verdes, aplicando rapidamente em Jones fazendo com que seus Life Points voltassem ao máximo! Quando os zumbis do machado, do martelo e da enxada já estavam chegando bem perto do casal de humanos, eis que por sorte dos próprios ou por vontade do escritor de continuar esta história, surgiu outra morta-viva do outro lado do cemitério. Esta vestia, se é que eu posso dizer que vestia algo, um uniforme curtíssimo de enfermeira e o rosto coberto de bandagens. Ela chamou bastante a atenção dos quatro zumbis machos que por outro golpe do acaso (ou não), eram uns pervertidos e saíram perseguindo a morta-viva enquanto berravam algumas cantadas idiotas em um sotaque espanhol muito esquisito. A velha gorda da cara torta ficou muito irritada e tentou matar e devorar o casal que ainda estava parado ali. Quem salvou Jones e Ana foi outro morto-vivo que saiu de seu túmulo rapidamente e se pôs entre o casal e a velha, dizendo:

- Saia daqui, sua imitação! Tu não és zumbi de verdade. Não passa de uma experiência, contaminada com Las Plagas!

A velha, parecendo que entendeu, saiu resmungando centenas de vezes:

- Mierda!

O zumbi que acabara de aparecer vestia um terno rasgado e um elmo onde havia duas asinhas como em um que já foi usado por Hermes. O rosto dele se decompunha com muito estilo deixando um de seus olhos maior que outro de um jeito que sua expressão parecia sempre sarcástica.

- Olá humanos. Não se assustem com aqueles pseudo-zumbis. Meu nome é Sodaihoho e meus amigos e eu somos zumbis de fato! Querem conhecê-los? Prometo que eles não irão querer devorar imediatamente seus cérebros.

A resposta do casal seria algo como “Não obrigado. Agradecemos a gentileza, mas estamos nos derretendo de medo e queremos sair correndo de volta para a cidade”. Mas Sodaihoho não esperou resposta alguma e assobiou. Vários outros mortos-vivos se levantaram de seus túmulos, todos muito acabados e parecendo famintos. Jones, confuso, perguntou:

- Como podem ser zumbis de verdade e não quererem comer nossos cérebros?

E Sodaihoho respondeu:

- É que nós já comemos tantos cérebros que evoluímos e mudamos nossos métodos. Agora nós sabemos até dançar! Querem ver?

Os dois concordaram logo, imaginando que formidável seria ver bem ali, ao vivo uma apresentação de Thriller com zumbis reais e tudo mais. Foi então que começou a melodia odiosa de: “Bota a mão na cabeça que vai começar…

- Ei, é assim que vocês tentam mostrar que evoluíram? Onde está a apresentação de Thriller?

Falou Jones e Sodaihoho replicou:

- É que eu acabei comendo a maioria dos cérebros e evoluí mais rápido. Atualmente eu posso comandar todos esses outros zumbis, mas eles ainda não conseguem dançar Thriller. Só conseguem dançar esse axé desprezível.

E os zumbis voltaram a cantar e dançar: “Zumbification-tion, Zumbification… ♫” Jones e Ana acabaram tendo de se juntar a eles, até que foram envolvidos pelo círculo de alegres, porém tolos zumbis. Sodaihoho, nem por um momento se juntou à dança. Subitamente os zumbis pararam a coreografia, a melodia também parou de tocar e eles começaram a babar enquanto se aproximavam lentamente do casal de humanos. Os dois ficaram apavorados e gritaram para Sodaihoho:

- Ei, você disse que não devorariam nossos cérebros e que tinham mudado seus métodos!

A resposta foi:

- Sim, nós mudamos! Antes atacávamos logo que víamos nossa presa, mas quando os humanos souberam de nossos costumes tivemos de mudar e agora os atraímos, atacando-os quando estão despreparados! A propósito, em nenhum momento disse que não devoraríamos seus cérebros. Somente disse que não seria de imediato.

A multidão de seres putrefatos avançou sobre o casal, devorando-os. Tsc, zumbis e suas manias. Ana e Jones perderam as vidas e o pior, os cérebros enquanto alguns zumbis cantavam: “Zumbification-tion, Zumbification ♫”

 

                  

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Jul 23 '10

Cadeira de Madeira

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A Cadeira quebrou…

… Um homem muito, muito pesado havia tentado sentar sobre ela, mas as perninhas finas e raquíticas da Cadeira de Madeira não agüentaram e Crack… Ela fumou e rapidinho ficou dependente deste aproveitador. É quem sem as pernas ela se sentia inútil; ninguém mais queria sentar nela, ficava solitária num canto e a única coisa que a fazia esquecer a realidade por um tempo era o Crack, mas logo que ele se ausentava, ela sofria em dobro. Quando o Crack foi preso, pois só prejudicava as pessoas, a Cadeira quase morreu em abstinência. Exigiu um tremendo esforço para esquecer completamente aquele “droga” de companheiro e concentrar-se nos próprios problemas. Por muito tempo ela teve de esperar que o Martelo, o Serrote e os pregos tivessem um tempo livre para poder consertá-la. O concerto só poderia acontecer à noite, porque já imaginou se algum humano os visse movimentando-se e trabalhando sozinhos? Era quase certo de que iria escravizá-los ou algo assim. Pelo menos era esse argumento que eles usavam para não trabalharem sozinhos à luz do dia. Mas um dia a Cadeira de Madeira acordou com suas pernas consertadas e ficou felicíssima; Somente estava um pouco empoeirada por causa do tempo que passara abandonada. Então foi colocada ao ar livre para que pudesse levar um sol. O dia parecia estável, mas foi bem rápido que começou a chover e logo ela percebeu que era uma tempestade. Ninguém a ajudou e a Cadeira notou que suas pernas haviam amolecido; ela ficou desesperada e foi levada pela enchente junto com os dejetos e corpos humanos que também não haviam conseguido escapar. Um homem, sem esperanças de sobreviver gritou:

- Ah meu Deus! Por que isso está acontecendo?

A Cadeira de Madeira respondeu:

- Não vá culpar Deus se você morrer. Não percebe que são vocês, humanos que causam essas desgraças? Quem joga lixo nas ruas e entopem os bueiros? Quem acaba poluindo o ambiente em que vivem e alterando o clima? Qual é a espécie do maldito ser que havia quebrado minhas pernas?

E então ela foi partida pela força da correnteza, coitada; não tinha sido feita com madeira de boa qualidade. O homem sobreviveu, pois tinha braços e num momento em que a correnteza deu uma trégua, conseguiu nadar para um lugar onde não havia inundação. As palavras da cadeira ecoaram em sua mente, mas no fim ele pensou ter sido somente uma alucinação e ignorou tudo… Se bem que recordava de sem querer ter sentado e quebrado uma cadeira algum tempo atrás. Coincidência, ele decidiu acreditar.  

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